Estádio | Terras do Desembargador



Terras do Desembargador

1904/05 e 1906/07

FICHA TÉCNICA


NOME:
Campo Terras do Desembargador
LOCALIZAÇÃO:
Nas Terras do Desembargador, entre a Calçada da Ajuda e a Rua Alexandre Sá Pinto
SITUAÇÃO ATUAL:
Parada do Quartel das Oficinas Gerais de Material de Engenharia (Exército)
TIPO DE PROPRIEDADE:
Terreno de acesso público


No final do séc. XIX, muitos dos jogos de futebol disputavam-se nos terrenos das Terras do Desembargador, junto ao Convento das Freiras Salésias, em Belém, isto após a inauguração, em 1892, da Praça de Touros do Campo Pequeno, que era, até essa data, o local de eleição para os jogos de futebol realizados na Capital.

Ainda que esporádicos e sem calendário preestabelecido (anunciados em "desafio" nas páginas da imprensa lisbonense da época), os jogos de futebol atraíam às Salésias alguns desportistas, mas principalmente a miudagem. Em domingos de jogos, a pequenada de Belém e os casapianos do Restelo "caíam em cima das quatro linhas" na ânsia de ver jogar futebol, mas principalmente para verem quem vencia - se o que desafiava ou o que era desafiado. Depois imitavam os "heróis", nas ruas ou no pátio da Casa Pia.


Foi nesses terrenos que, em dezembro de 1903, o Grupo de Belém, composto pelos três irmãos Rosa Rodrigues (conhecidos por Catataus) e os seus vizinhos da Rua de Belém, reforçados com ex-casapianos "bons de bola", venceram por 1-0, no jogo-desforra, o Internacional (CIF), considerado na altura o melhor grupo português de futebol (ainda que nele atuassem, também, jogadores ingleses).

No almoço que se seguiu ao triunfo, foi proposto fundar um clube... só com portugueses! A vitória, que provocou grande alvoroço em Belém, levou à intensificação dos treinos, ao estreitar de relações entre os rapazes de Belém e os ex-casapianos e, alguns meses mais tarde, à criação do nosso clube (28-02-1904). Após a fundação, na área de Belém, as Terras do Desembargador foram um dos locais onde se realizaram os primeiros treinos e onde se efetuou o primeiro jogo do nosso Clube (01-01-1905), em que vencemos o Grupo de Campo de Ourique, por 1-0.

Continuámos a jogar nas Salésias, mas, com o crescimento do Clube, em associados e popularidade, fazia-se sentir cada vez mais a necessidade de possuirmos "campo próprio". Uma das primeiras medidas da 1.ª Direção, eleita a 22-11-1906 e presidida pelo Dr. Januário Barreto, ocorreu na 2.ª reunião, a 07-02-1907, em que se deliberou "adquirir um campo atlético privativo do clube".

Em pouco tempo, os jogadores do Benfica eram considerados os melhores que havia em Portugal e os únicos com categoria para "dar réplica" aos mestres invencíveis do Cabo Submarino, o Carcavellos Club. No entanto, não tinham boas condições para treinar e jogar. As estruturas das Salésias eram muito rudimentares. Como eram terrenos públicos, serviam vários fins, entre os quais exercícios de soldados e cavalaria dos regimentos militares de Belém, o que deixava frequentemente o piso em muito mau estado.

Por outro lado, os espectadores incomodavam muitas vezes os jogadores, sobretudo a "soldadesca" que assistia a treinos e desafios, visto que o campo constituía a cerca de um quartel. Este panorama era muito desagradável, sobretudo para alguns atletas do nosso Clube, que também eram militares e de patente mais elevada... Com o desenvolvimento das suas capacidades futebolísticas, a par da afirmação profissional, não agradava aos nossos jogadores andar com equipamentos às costas e por balneários ao ar livre, sem comodidade nenhuma - "já não tinham idade nem posição social para rapaziadas".

EM POUCO TEMPO, OS JOGADORES DO BENFICA ERAM CONSIDERADOS OS MELHORES QUE HAVIA EM PORTUGAL E OS ÚNICOS COM CATEGORIA PARA "DAR RÉPLICA" AOS MESTRES INVENCÍVEIS DO CABO SUBMARINO, O CARCAVELLOS CLUB


Com a garotada a assistir, bola que saísse fora das "quatro linhas", era uma trabalheira para a trazer de volta ao campo, pois a rapaziada apanhava-a e queria brincar com ela. Havia, também, o perigo de alguns espectadores correrem pelo campo, provocando acidentes entre eles e os jogadores. António Rosa Rodrigues chegou mesmo a fraturar um braço, tendo, na sequência do acidente, partido a perna a um rapaz que atravessou inadvertidamente o terreno de jogo. O incidente provocou a intervenção da Polícia, tendo o nosso atleta prestado contas na esquadra de Belém, já que os terrenos eram públicos e deviam ser utilizados "com urbanidade", ou seja, de modo a não serem provocados desacatos. Havendo acidentes, teria de se responder por eles.

Com dificuldade em conseguir espaços em Lisboa para praticar futebol, o nosso clube, na temporada de 1906/07 - a 3.ª da nossa história desportiva -, utilizou, como os restantes clubes da cidade, campos alheios para jogar futebol. Entre estes, contavam-se a Quinta Nova, em Carcavelos, que pertencia às instalações do Cabo Submarino e onde jogava o Carcavellos Cricket and Football Club - utilizado para o futebol desde os anos 90 do séc. XIX) e o campo da Cruz Quebrada, pertencente aos ingleses do Lisbon Cricket Club, que também praticavam futebol.

O clube continuou a procurar terrenos na área de Belém. Todavia, por não existirem espaços ou pelo facto de os arrendamentos serem demasiado dispendiosos, nunca foi possível conseguir o tão desejado campo próprio, nem mesmo fora de Belém. A solução viria a ser encontrada em Benfica, onde existia um clube - o Grupo Sport de Benfica -, que tinha um razoável campo de jogos, na Quinta da Feiteira, apesar de não possuir bons jogadores de futebol.

Atualmente, estes terrenos estão integrados, devido ao alargamento das instalações, na "parada" do Quartel das Oficinas Gerais de Material de Engenharia, do Exército, a norte da Rua do Embaixador, entre a Travessa das Zebras e a Rua Alexandre de Sá Pinto.








retirado de SLBenfica.pt

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